O inglês é falado por 1,5 bilhão de pessoas;
O chinês por 1,2 bilhão;
O indu por 1,0 bilhão;
51 línguas são faladas por uma pessoa
1.500 línguas são faladas por menos de mil pessoas;
240 línguas são faladas por 96% dos seres humanos.
Acredita-se que daqui a l00 anos restarão 100 línguas;
24 daqui a 300 anos.
O inglês, espanhol e chinês e espanhol sobreviverão.
O português será incorporado pelo espanhol.

A Língua Portuguesa

No período medieval, o português nasceu da cisão do galaico-português em dois falares distintos (galego e português).
A sua estrutura de língua novi-latina manteve-se mas recebeu, ao longo do seu período de formação, a contribuição de outras línguas, especialmente o árabe e as línguas germânicas.
No período renascentista, o grego e, principalmente, o latim erudito contribuíram para uma maior variedade vocabular, e para a estruturação lingüística e gramatical.
Com as Grandes Navegações e as Descobertas, a língua portuguesa adotou vocábulos de diferentes origens.
Nos séculos XVIII e XIX, sofreu influência do francês.
No século XX, do inglês.

As línguas no Brasil

Antes de 1.500 havia 1.175 línguas.
Hoje são menos de 200. Certamente línguas indígenas.
O Brasil não tem dialetos.
No máximo, tem regionalismos.

A língua portuguesa no Brasil

Os descobridores, os primeiros povoadores e os padres falavam o português.
Os índios potiguaras, viatãs, tupiniquins, caetés, tupinambás, guaranis, carijós, tapuias, aymorés, goytacazes e tamoios falavam suas línguas. Foram identificadas na costa cerca de 76 nações e línguas. Só no Amazonas existiam mais de 150. Os estudos das línguas indígenas começaram com o padre biscaino João Azpicuelta Navarro.
Os bandeirantes falavam a língua geral, mistura de português com as línguas indígenas
Em 1583, as línguas africanas foram introduzidas no Brasil com a chegada de quatro mil escravos da Guiné. Sofreriam alterações findo o tráfico. Nina Rodrigues foi o primeiro a estudar as línguas e os dialetos da Guiné, Angola, Moçambique, Costa da Mina, Daomé e Sudão, predominando o nagô e o ioruba, na Bahia, e o quibundo, no Norte e no Sul.
Em 1595, em Coimbra, foi publicada por Antônio de Mariz a “Arte de Gramática da Língua mais usada na costa do Brasil”, feita pelo padre José de Anchieta que também elaborou “Diálogo da Doutrina Cristã” e “Arte da língua brasílica” a que todos os jesuítas deviam ler.
Em 1727, Dom João V fez saber ao governador do Maranhão que os índios deveriam ser instruídos na língua portuguesa.
Em 1755 em São Luís e Belém só se falava a língua tupica, inclusive nos púlpitos das igrejas.
Em 1757, O Código do Marques de Pombal ou a Lei do Diretório tinha por objetivos vulgarizar a língua portuguesa Com ela se conseguiu mudar a língua do Pará, São Paulo e Maranhão, determinando o ensino da língua portuguesa.
Em 1768, o guarani era a língua usada na intimidade em S ???p?ão Paulo.
Em 1823, José Honório Rodrigues registrou in “Humanidades”, revista da UnB: A vitória real da língua portuguesa no Brasil só foi registrada 300 anos depois da chegada dos descobridores, quando os brasileiros falaram pela primeira vez sua própria língua, em reunião pública, nos debates da Assembléia Constituinte de 1823”
O português é falado em sete países, espalhados por cinco continentes, por mais de 230 milhões de pessoas.
181,0 milhões no Brasil
18,9 milhões em Moçambique
12,0 milhões em Angola
10,0 milhões em Portugal
4,5 milhões de portugueses na Europa, América do Norte e América do Sul
1,1 milhão em Guiné Bissau
1,0 milhão em Macau, Timor Leste, Goa, Damão e Diu
434,0 mil em Cabo Verde
134 mil em São Tomé e Príncipe
A língua portuguesa tem um acervo de 500 mil palavras.
A 1ª edição do Vocabulário Ortográfico da Língua Portuguesa, da Academia Brasileira de Letras, em 1981, coordenado por Antonio Houais, registrou 360 mil palavras
Admite-se que hoje hajam:
160 mil na língua viva do Brasil e
140 mil na língua viva em Portugal.
Reformas Ortográficas na Língua Portuguesa
Em 1911, Portugal adotou a 1ª reforma ortográfica
Em 1931, foi aprovado o 1° Acordo Ortográfico entre Brasil e Portugal por iniciativa da Academia Brasileira de Letras e a Academia das Ciências de Lisboa
Em 1943, foi adotada a 1ª Convenção Ortográfica entre Brasil e Portugal
Em 1945, adotou-se a Convenção Ortográfica Luso Brasileira, em Portugal e não no Brasil.
Em 1971, foi promulgada Lei, no Brasil, reduzindo as divergências ortográficas com Portugal, com a simplificação.
Em 1973, foi promulgada Lei, em Portugal, reduzindo as divergências ortográficas com o Brasil.
Em 1975, a Academia das Ciências de Lisboa e a Academia Brasileira de Letras elaboraram novo projeto de acordo que não foi aprovado oficialmente.
Em 1986, realizou-se no Rio de Janeiro o primeiro encontro da comunidades dos países de língua portuguesa, tendo a Academia Brasileira de Letras apresentado o Memorando Sobre o Acordo Ortográfico da Língua Portuguesa. Também se realizou o Encontro de Verificação Ortográfico da Língua Portuguesa, que teve como Secretário Geral Antonio Houaiss, que apresentou o documento Bases Analíticas da Ortografia Simplificada da Língua Portuguesa, em 1945, renegociada em 1986.
Em 1990, a Academia das Ciências de Lisboa convocou novo encontro juntando uma Nota Explicativa do Acordo Ortográfico da Língua Portuguesa, assinado por representantes de Angola, Brasil, Cabo Verde, Guiné-Bissau, Moçambique, Portugal e São Tomé e Príncipe, e estabelecendo que o Acordo Ortográfico da Língua Portuguesa entrará em vigor em 1 de janeiro de 1994...

Há quem afirme que:
Uma criança usa 1.000 palavras
Um adulto, 2.000;
Uma pessoa culta, 5.000
Um pessoa erudita, 10.000.
O bra ???p?sileiro médio usa 2.000 palavras
Dicionários
O Dicionário da Academia Brasileira de Letras tem 72 mil verbetes
O Dicionário de Antonio Houaiss 228.500
O Dicionário Michaelis 200.000
O Dicionário do Aurélio 160.000
O Dicionário Larousse Ilustrado 35.000
O Dicionário da Academia das Ciências de Lisboa 120.000l
O maior Dicionário do mundo é o Oxford English Dictionary com 615.00 verbetes. A 1ª edição saiu em 1927, depois de 48 anos de pesquisas, com 414.825.
A gíria no Brasil teria um acervo de:
50 mil palavras.
No meu Dicionário, 28 mil
No de Viotti, 5 mil (1957)
No de Nascentes. 2,5 mil (1953)
No de Amadeu Amaral, 2,0 mil (1922)
No de Elysio Carvalho, 500 (1912)
No de Bock l,0 mil (1903)
As referências sobre gírias
Em Portugal, nos séculos
XVI (Gil Vicente, Jorge Ferreira de Vasconcelos)
XVII (Dom Francisco Manuel de Melo)
XVIII (padre Rafael Bluteau e Manoel Joseph Paiva)
No Brasil,
XIX (Manuel Antonio de Almeida, Aloizio de Azevedo, J.Romaguera Correa)
XX (Bock, Elysio de Carvalho, Amadeu Amaral, Antenor Nascentes, Manuel Viotti, Monica Rector, Dino Pretti)

Como nascem as gírias.

Muita gente pergunta pelo correio eletrônico, bem como em entrevistas, encontros, seminários etc como nascem as gírias. ???p?
As formas são muitas:
1) neologismos, novas palavras com a lógica da língua, seja pela morfologia ou fonética;
2) metaplasmos
3) bordões, jargões, refrões, chavões, clichês, gritos de guerra, palavras de ordem, etc
4) palavrões e calões
5) ditados, ditos e expressões populares, frases feitas, frases de efeito
6) modismos induzidos, especialmente na tevê, um bordão que vira modismo
7) modismos tecnificados, especialmente na publicidade, uma frase, um slogan, uma palavra de ordem que vira modismo
8) regionalismo, caipirismo
9) vícios de linguagem, barbarismos, solecismos
9) palavras inventadas
10) corruptelas ou corrutelas
11) duplo significado. Na etimologia, uma coisa. Na gíria, outra
12) inclusão ou supressão de letras e sílabas
3) preguiça de se pronunciar a palavra por inteiro
14) simplificação da linguagem.

A maior palavra
A maior palavra da língua portuguesa não é anticonstitucionalissimamente, como durante muito tempo se falou, mas Pneumoultramicroscopicossilico- vulvcanoconiotico, com 46 letras., que significa estado de que é acometido de uma doença rara provocada pela aspiração de cinzas vulcânicas.

opinioes.gif (1792 bytes)

"Esta obra é rica de signos e ???p? significados. Concordo com a observação do autor de que ela "é a manifestação da língua viva", representando apreciável vertente do nosso vernáculo."
Arnaldo Niskier, ex-Presidente da Academia Brasileira de Letras

"Quero dizer-lhe, muito lealmente, que você levou a bom termo alguma coisa de extremo interesse presente a futuro não só para a nossa lingua formal presente, mas também para a informal, cujos enlaces você não deixou de apontar."
Antonio Houaiss, ex-Ministro da Cultura e membro da Academia Brasileira de Letras."Gostei muito do Dicionário. É bom. Acho que Houaiss tem razão."
Marcos Vinicius Vilaça, Ministro do Tribunal de Contas da União e membro da Academia Brasileira de Letras"Um trabalho dessa ordem, pesquisando a linguagem falada do povo, das classes marginais tem, em nossos dias, uma importância muito grande para o estudo da lexicografia popular."
Dino Pretti, Professor da USP."Serra escarafunchou meio mundo, aqui e alhures, região por região, por todo esse Brasil imenso, a fim de registrar vocábulos e expressões de que se valem os brasileiros na sua prática coloquial cotidiana."
Blanchard Girão, Jornal ???p?ista.

"Trata-se de uma longa pesquisa em que você contribui valiosamante para o linguajar falado do brasileiro e isso ajuda sobremaneira a todos nós."
L.G. Do Nascimento Silva, ex-Ministro da Previdência e ex-Embaixador do Brasil em Paris."Desejo cumprimentá-lo pelo "Dicionário de Gíria" que você teve a coragem de iniciar a perseverança de levar a bom termo.
Osvaldo Della Giustina, ex-Reitor da Universidade de Tocantins.

"No seu livro, Serra e Gurgel, adverte que disseminação dessa forma de Linguagem, não raro também divulgada pelos meios de comunicação, pode estar levando o português falado no Brasil a se transformar numa língua ágrafa - ou seja, sem a correspondente representação gráfica para sua manifestação sonora."
Editorial do jornal A GAZETA, de Vitória, ES.

VEJA AS EDIÇÕES ANTERIORES DO JORNAL DA GÍRIA

Jornal Novembro de 1999
Jornal Dezembro de 1999
Jornal Janeiro de 2000
Jornal Fevereiro de 2000
Jornal Março de 2000
Jornal Abril de 2000
Jornal Maio/Junho de 2000
Jornal Julho/Agosto de 2000
Jornal Setembro/Outubro de 2000
Jornal Janeiro/Fevereiro de 2001
Jornal Março/Abril de 2001
Jornal Maio/Junho de 2001
Jornal Julho/Agosto de 2001
Jornal Setembro/Outubro de 2001
Jornal Novembro/Dezembro de 2001
Jornal Janeiro/Fevereiro de 2002
Jornal Março/Abril de 2002
Jornal Maio/Junho de 2002
Jornal Julho/Agosto de 2002
Jornal Novembro/Dezembro de 2002
Jornal Dezembro/02 - Janeiro/03
Jornal Janeiro/Fevereiro de 2003
Jornal Abril/Maio de 2003
Jornal Junho/Julho de 2003
Jornal Agosto/Setembro de 2003
Jornal Outubro/Novembro de 2003
Jornal Dezembro de 2003
Jornal Fevereiro/Março de 2004
Jornal Abril/Maio de 2004
Jornal Junho-Agosto de 2004
Jornal Setembro/Outubro de 2004
Jornal Novembro/Dezembro de 2004
Jornal Janeiro-Abril de 2005
Jornal Maio/Julho de 2005

Jornal Agosto/Outubro de 2005
Jornal Janeiro/Fevereiro de 2006
Jornal Março/Abril de 2006
Jornal Maio/Junho de 2006
Jornal Agosto/Setembro de 2006
Jornal Outubro/Dezembro de 2006
Jornal Janeiro/Fevereiro de 2007
Jornal Março/Abril de 2007
Jornal Maio/Julho de 2007
Jornal Agosto/Outubro de 2007
Jornal Novembro/Dezembro de 2007
Jornal Janeiro/Fevereiro de 2008

Jornal Março/Abril de 2008

Jornal Maio/Junho de 2008
Jornal Julho/Agosto de 2008
Jornal Setembro/Outubro de 2008
Jornal Novembro/Dezembro de 2008
Jornal Janeiro/Fevereiro de 2009
Jornal Março/Abril de 2009
Jornal Maio/Junho de 2009
Jornal Julho de 2009
Jornal Agosto de 2009
Jornal Setembro/Outubro de 2009
Jornal Novembro/Dezembro de 2009
Jornal Janeiro/Fevereiro de 2010
Jornal Março/Abril de 2010
Jornal Maio/Junho de 2010
Jornal Julho/Agosto de 2010
Jornal Setembro/Outubro de 2010
Jornal Novembro/Dezembro de 2010
Jornal Janeiro/Fevereiro de 2011
Jornal Março/Abril de 2011
Jornal Maio/Junho de 2011
Jornal Julho de 2011
Jornal Agosto de 2011
Jornal Setembro/Outubro de 2011
Jornal Novembro/Dezembro de 2011
Jornal Janeiro/Fevereiro de 2012
Jornal Março/Abril de 2012
Jornal Maio/Junho de 2012
Jornal Julho/Agosto de 2012
Jornal Setembro/Outubro de 2012
Jornal Novembro/Dezembro de 2012
Jornal Janeiro/Fevereiro de 2013
Jornal Marco/Abril de 2013
Jornal Maio/Junho de 2013
Jornal Julho/Agosto de 2013
Jornal Setembro de 2013
Jornal Outubro de 2013
Jornal Novembro/Dezembro de 2013
Jornal Janeiro/Fevereiro de 2014
Jornal Março/Abril de 2014
Jornal Maio/Junho de 2014
Jornal Julho/Agosto de 2014
Jornal Setembro/Outubro de 2014
Jornal Novembro/Dezembro de 2014
Jornal Janeiro/Fevereiro de 2015
Jornal Março/Abril de 2015
Jornal Maio/Junho de 2015
Jornal Julho/Agosto de 2015
Jornal Setembro/Outubro de 2015
Jornal Novembro/Dezembro de 2015
Jornal Janeiro/Fevereiro de 2016
Jornal Março/Abril de 2016
Jornal Maio/Junho de 2016
Jornal Julho/Agosto de 2016
Jornal Setembro/Outubro de 2016
Jornal Novembro/Dezembro de 2016
Jornal Janeiro/Fevereiro de 2017
Jornal Março/Abril de 2017
Jornal Maio/Junho de 2017
Jornal Julho/Agosto de 2017
Jornal Setembro/Outubro de 2017
Jornal Novembro/Dezembro de 2017
Jornal Janeiro/Dezembro de 2018
Jornal Março/Abril de 2018
Jornal Maio de 2018
Jornal Junho de 2018
Jornal Julho de 2018


Jornal da Gíria Ano XIX- Nº 119 Agosto de 2018
 


Visite o nosso Facebook, com as últimas questões gírias e da língua portuguesa.

Clique nos ícones abaixo e veja ou ouça o que a equipe do Jornal da Gíria pesquisou sobre a língua portuguesa e que é do seu interesse conhecer.

Ouça aqui giria portuguesa e divirta-se ! (necessario PowerPoint )

 Veja o que mandou António Pinho, de Lisboa: A origem da língua portuguesa:

https://www.youtube.com/watch?v=EtBief6RK_I

Veja o que me mandou Rubem Amaral Junior  :

http://youtu.be/sTVgNi8FFFM

veja a despedida do trema  ! (necessario PowerPoint)

giria de angola : https://www.youtube.com/watch?v=YZdSGL54f-Y

Brasileirismos ! (necessario PowerPoint)

Ouça  o link do programa Sem Papas na Língua, com Ricardo Boechat e Dionisio de Souza na Band News Fluminense, em 19,07.2018 sobre o lançamento da 9ª. Edição do Dicionário de Gíria.

https://fatosfotoseregistros.wordpress.com/2018/07/19/spl20180719/

 LANÇAMENTO DA 9ª. EDIÇÃO, DO DICIONARIO DE GÍRIA , NA LIVRARIA DA TRAVESSA, EM IPANEMA, RIO DE JANEIRO 19.07.2018

 

O Convite foi expedido e os exemplares do Docionário na vitrine principal da Travessa,  em Ipanema e o autor com Aziz Ahmed

  giria

giria


 

 


SEM, PAPAS NA LÍNGUA

Dialogo entre Ricardo Boechat e o prof. Dionísio da Silva,

Programa na Band News, FM/Fluminense, em 19.07.2018.(*


Boechat– E hora de conversarmos  com o prof. Dionísio da Silva sobre historia das palavras. Como elas começaram. O que significam . Todas as 5as. , o prof. Dionísio tem esta coluna, Sem Papas  na |Lingua,  que é um sucesso entre os ouvintes .  Hoje a coluna vai explicar a origem das gírias.  A razão pela qual vamos falar de gírias é o lançamento da   a 9ª. edição do Dicionário de Gíria, de João´Bosco Serra e Gurgel, professor, pesquisador, que por longo tempo deu aulas na Universidade de Brasilia, mora  em Niterói  com uma família maravilhosa.

 
Dionísio - Bom dia,  Boechat, vai ser na livraria da Travessa.

 
Boechat - Hoje, as 19 horas,  na Livraria da Travessa, na Visconde de Pirajá,572, em Ipanema,  lançamento da 9ª.  O  Dionísio, que é um apaixonado pelas palavras,  selecionou alguns verbetes para conversarmos sobre gíria.

 
Dionísio –  Sou fã do J.B Serra e Gurgel estou sabendo por você que o nome dele é João Bosco, porque  ele não usa, mas tenho todas as edições do seu Dicionário.  Quero parabeniza-lo, não o conheço pessoalmente o autor, mas tenho aqui a 8ª. edição.  Parabéns mesmo. Um  autor brasileiro , um escritor, chegar à 9ª. edição em qualquer livro,  mesmo que seja um Dicionário de Gíria, temos que celebrar.

 
Boechat -  Vamos falar um pouco sobre o que é a gíria ,  o que a gíria porem na definição linguística.

 
Dionísio  -  Por definição,   a gíria se assemelha a um twiter. É uma linguagem . A gíria veio  do antigo grego , passou pelo espanhol e chegou ao português, é uma voz onomatopaica que designava originalmente o canto dos pássaros. Em inglês fica claro. O twiter veio do  velho alto  alemão como  uma forma onomatopaica de um pássaro  que não tem um canto conhecido, o um barulho, um trinado, que não obedece as regras  gramaticais., Quando você está duvida se uma palavra se escreve com s ou ç, você vai ao dicionário,  .A definição da gíria é o  uso da palavra.A gramatica prescreve. A gíria descreve. O trabalho dele é descrever o que está acontecendo, selecionou milhares de palavras, cerca de 40 mil verbetes, 10% dos que os dicionários registram na língua culta .

 
Boechat -  A gíria é,  na verdade,  é palavra de uso corrente aplicada com outro significado.

 
Dionísio -  É   isso. Exemplo, hoje se usa muito  crush , quebrar, colidir, que foi uma marca de regrigerante.. Paquera é gíria, na paquera você está esperando a paca para caçar, isto é paquerar;  amor virou amorzão, mozão; , urubu designa uma ave mas hoje é a designação da  torcida do Flamengo, desde a celebre virada do Flamengo sobre o Botafogo. Mas você pode falar urubu e lembrar do cartoon do Henfil, da ave no Maracanã, torcida do Flamengo.  Mudou o  significado.  Exemplo de gírias: 0800, amarelar, bolado, caô, dar o cano , como  dar o bolo, baba ovo, como puxasaco, a coisa zero bala.

 
Boechat  -   Veja como é curioso:  todas as palavras têm um significado, uma etimologia. Baba ovo, adulador, não vamos entrar nos detalhes,   frio, é uma gíria, mas pé uma coisa e frio é outra, mas juntas ganham um  significado .A gíria é apropriação de palavras isoladas ou  compostas que tem um sentido diferente que a etimologia lhe deu, na sua origem clássica e formal. O Ibrahim (Sued) inventava muita gíria . Ibrahim está na origem da carreira do Serra que é cearense. Me lembro que o Fernando Carlos de Andrade, o Fernandão,  que fazia a coluna do Ibrahim e que virou marchand e  galerista,  bem sucedido,   me contava  que o Serra impressionou muito  o Ibrahim .Logo   no primeiro dia encheu três paginas de notícias capturadas com seus cadernos de telefones.  O Serra sempre foi envolvente e sedutor.  O Serra era uma máquina de produzir  notícias. O Serra, como era conhecido, era repórter da coluna do Ibraim Sued e saiu em 1972 para ser  assessor de imprensa no IBC. deixou dentro da gaveta tres caderninhos , naquela época, não havia agenda em celular, eram muito usados e eram chamados de sebosos. Depois foi ser professor da UnB, hoje já aposentado, com uma família. maravilhosa . Quando saiu do Ibraim .o Nilo Dante me chamou , um garoto  cabeludo, para ficar no lugar dele, para tapar o buraco e acabei lá ficando por quase 14 anos. Ibrahim criou a gíria busunta, a gíria  chumbeta, eram gírias depreciativas. Mas criou muitas outras, (geração pão com c,ocada, bonecas e deslumbradas, cocadinha, su, rebu, xangai, panteras, panterinhas, , de leve, sorry,  periferia. Gigi eu chegou lá, de leve). Dionísio,  granfina é  gíria?


Acho que foi só.
Dionísio – Não é mais. Não nos conhecíamos, mas fomos editados por Augusto Nunes e Nilo Dante, no Jornal do Brasil, quando  nos conhecemos nos bons tempos do JB ,   eu fazia três colunas por semana e  um você  fazia coluna  diária. 

 
Boechat - Não era o apogeu do JB , Mas o JB está lutando ,foi relançado, com vários bons

profissionais,  voltou  à cena jornalística e está dando furos.

 
Dionísio – Granfina não é mais gíria. Isto exemplifica o movimento da gíria que é muito importante.  A palavra veio de grã, imponente, e fina, refinada. Muitas palavras da gíria  migram para os dicionários, vão para a língua culta, são acolhidas e ficam lá . Bolha era mera gíria   hoje é surto de consumo e produção. A gíria passa de repente,  tem duração efêmera. Grafina passou, na gíria ficou a granfa.  O Serra é cearense e eu  catarinense.  Corremos em raia própria. Eu dou a a origem das palavras, a historia delas e ele registra a existência na gíria. Ele está registrando as origem de muitas gírias (dando data e local provável, com base em registros bibliográficos).O caráter da gíria é instável e o caráter da língua é estável. Porque está na língua ali fica.

Boechat – A gíria é a língua mutante, de ocasião, marginal, e as vezes tem um significado que passa  a ser incorporado à língua culta,  estabiliza o seu acervo. Estava me lembrando de uma gíria:  Fulano é pavão. O pavão gosta de se exibir mostra suas lindas penas. Já a pavoa não é exibida;  Me lembrei que de outra gíria:  Pele . Pele era aquele que era alvo de chacota do grupo, o builing de hoje. Na Argentina, eles dizem saca la piele. O bolha como gíria foi bobo, ogro, oco, que fala bobagem, hoje tem significado econômico. De pico, de evento econômico,

Disonisio . A criatividade popular é muito forte para a gíria. O cara pega uma arma de guerra, um canhão, e logo chama  mulher feia de canhão. O goró  como é chamada a bebida . É interessante.

 
Boechat . A criatividade popular é impressionante. Surgem nos bolsões mais populares, mais mais pobres, com menos escolas e oportunidades. Nos Estados Unidos, você vai conversar com americanos mais pobres das grandes cidades, mesmo em Nova Iorque,  você não entende nada, chongas, pn (olha a gíria)n, mesmo que saiba falar ingles,  porque eles usam e abusam das gírias. Aqui também acontece isso; Você  pega gravações de conversas entre bandidos e entre policiais, coisa desse tipo que tem código e nomenclatura própria , ninguém consegue entender, mas eles acabam se entendendo usando as suas gírias e falar de forma cifrada.

Dionísio – uma coisa que eu ia me esquecendo:  o autor é cearense, e o Ceará o segundo maior fornecedor de gírias na língua portuguesa Pelo menos está no Dicionário. Rio de Janeiro é o principal gerador da gíria brasileira. A gíria surgiu em Ipanema, mas é grande a contribuição do morro.,
O Ceará está a frente de São Paulo, Minas Gerais,  Distrito Federal e Bahia. Roraima e Rondonia  estão em último, nos registros do autor.  Devem existir razões para isso.  Vamos ver a nova edição. o Rio de Janeiro, que é o berço da gíria , com registros do patrimônio gírio nos séculos XX e XX, se apresenta com é 2.616 palavras de gírias, quase 10% do universo identificado.


Boechat – O Dionisio vai nos explicar a origem de algumas locuções, como Quem tem boca vai a Roma.

 
Dionisio - O Império romano tinha boas estradas e todas levavam a Roma, alias as estradas da Italia estão bem conservadas. E Roma era o centro do mundo. Muitas expressões vão para os Dicionarios   deformadas. O Facebook é a mior concentração de imbecis por metro quadrado do planeta. La se deforma tudo. A expressão romana passou a ter outra variação. Quem tem boca vaia a Roma

 
Boechat – Igual ao Viaduto dos Cabritos, Oscar brito...E botar a  boca no trombone...

 
Dionisio -  Botar a boca no trombone veio das bandas militares que tocavam dobrados nos coretos das cidades. É  impossível não notar o trombone, com seu som estridente e forte.  O padre  Raphael Bluteau que foi o primeiro a tratar de gíria na língua portuguesa. O Serra lembra este fato no Dicionário que é relevante; Bluteau revelou gírias que foram criadas há mais de 300 anos e que estão por aí, como bola, que significa cabeça. Antigamente se dizia: fuilanoé doente da bola, isto é da cabeça.

 
Boechat  . O Dionisio fala que se o Serra l fosse fazer o dicionário no sec. XVIII,naturalmente incluir a gíria cagalume que significa hoje o vagalume . E  agíria Fazer boca de siri . Muitas das  expressões de hoje tem a boca no meio...

 
Dionisio - O sujeito que comer no pé sujo, e fazer boca de siri, Faz a sua boquinha, fica discreto. O siri tem uma boca muita pequena e geralmente está fechada. Fazer boca do siri e ficar calado, fingir que não está vendo nada. É meio  caminho andado  na sobrevivência.

 
Meu abraço ao Serra e Gurgel. Abraço pra vocês. 

(*) Texto sujeito à revisão.

 

LANÇAMENTO DA 9ª. EDIÇÃO DO DICIONÁRIO DE GÍRIA , NA LIVRARIA DA TRAVESSA, EM IPANEMA, RIO DE JANEIRO, 19.07.2018

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 


serviço

 

O Dicionário, com 820 paginas, pode ser adquirido por e-mail.

serraegurgel@gmail.com

ou

Gurgel@cruiser.com.br

custo R$ 70,00 com frete incluso, informando por e-mail depósito ou transferência e endereço do comprador.

 

Antes, porem, é preciso fazer o depósito de R$ 70,00 na conta

Banco Brasil agencia 1302  - conta 825 754-x ou

Caixa Econômica Federal agencia 0005 0 – conta 261 644-6

Mande por e-mail copia do depósito acompanhado do endereço para a remessa

Por adquirir por cheque enviando para o endereço:

Jb Serra e Gurgel

SQS 302 Bloco A apto. 207

Asa Sul

Braslíia – DF

 Cep 70338.010

 


  deposite aqui sua giria


 


Visitante de numero: 634334!